and I got lost in my thoughts

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Textura Subjetiva




Pinto a rotina,
Misturo cores exóticas,
Formo uma cortina
E logo após eu abro-a,
Somente para ver pela janela o amanhecer.

Respiro um arco-íris
Apenas para pensar em seu rosto
E colocá-lo em uma tela limpa e pura.
Seu belo sentimento...
Será que estou à altura?
De um belo carinho
Extraí sua textura.

Qual a cor do amor?

Desta vez farei a melhor pintura,
Pois descobri onde seu coração mora,
Usarei os tons certos
Que encontrei explorando mundo a fora.

Sou filho da arte e cresci
Quando encontrei minha doce “Monalisa”.
Seus lábios são como o vermelho de Marte,
Teu corpo pede meu pincel,
Sua alegria transforma o meu ócio
Em uma inspiração forte como ópio.

Dor, hoje não irei tê-la,
Quero apenas estar com ela em casa
E desenhar algo peculiar olhando para o espelho.
Buscar diversas motivações sem borracha,
“Vestir-me” de embriaguez, felicidades e aquarela...
Para que eu possa viver menos os meus medos.

Danillo Rodrigues, 25 de fevereiro de 2010.
Salvador, Bahia, Brasil.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

1983



O ano é de 1983
E eu estou bebendo nesse bar outra vez
Há quatro anos atrás eu estava nesta mesma mesa,
Foi quando conheci esse lugar,
Se quiser me encontrar, venha pra cá,
Aqui é o meu novo lar.

Desde o falecimento de minha esposa,
Entreguei-me à bebida.
Ela partiu em 1979,
Daí pra frente têm sido doses e doses!
Whisk, cerveja, vinho...
Qualquer coisa que não me deixe “nobre”.

Até perfume já bebi!

Meu filho tentou diversas vezes
Colocar-me em um tratamento,
Porém, só aceita ajuda quem quer ser ajudado,
E ele cansou de me ver bêbado e entregue,
Em berço esplêndido de cana.

A embriaguez me domina e o ócio me visita,
Com um grande rancor pelo destino
E de mim mesmo, apenas ódio.
Raiva de uma fraqueza,
Entreguei-me ao vício,
Permaneci parado e chorando,
Bebendo e vomitando a vida
Enchi meu copo e esqueci que existe felicidade,
E das mais floridas.


Danillo Rodrigues, 24 de fevereiro de 2010.
Salvador, Bahia, Brasil.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vida além da nossa

Vida... além da nossa aqui na Terra
Dentro desse aquário limitado
Ambiente de instinto e “racionalidade”
Ficando rapidamente desgastado

“Olha que povo estranho,
Sociedade obsoleta,
Andam, correm, estão sempre ocupados
Com costumes vagos,
Tudo com muita pressa.

Matam a beça
E com esse espírito destruidor,
Destroem as plantações.
Máquinas de metal barato, fumaça escura,
Cidades impuras e com frágeis estruturas.

O fim da linha pode estar perto
Para esse ser que chamam de humano.
A casa está consumida,
O telhado de vidro quebrando,
O jardim virando pasto...

Toda via, existe ainda a beleza da represa
Chamada esperança, né?
Águas mágicas e de belas margens
Fluindo em leitos fortes molham
E limpam a vida desse mundo.

Desejo aos terráqueos muita sorte,

Porém nossa força e moral
Não podem ser ensinadas.
Pois um calice de sabedoria lá
pode se tornar uma fonte de nova "energia",
Desse ponto surgirão péssimas teorias
Nasceria uma era de dúvidas e agonias.

Tão simples é essa espécie pensante
Que necessita tanto de um novo abrigo...

Afinal meu caro amigo,

Os filhos mortais de Deus merecem a salvação?"

Danillo Rodrigues, 12 de fevereiro de 2010
Salvador, Bahia, Brasil.